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    Sábado, Julho 08, 2006


    Terceiro lugar

    Muita gente acha inútil este jogo que decide a terceira colocação da Copa do Mundo. Dizem ser um jogo de times desinteressados, como a Holanda em 1998; e citam o papelão da Bulgária em 1994, que tentava de todas as formas fazer com que Stoichkov marcasse um gol e se isolasse na artilharia (e acabou levando um 4x0 da Suécia).

    O Brasil já entrou em campo pelo terceiro lugar em três oportunidades, 1938, 1974 e 1978. Em 38, o time que contava com o "Diamante Negro" Leônidas da Silva derrotou a Suécia por 4x2, coroando a primeira grande campanha brasileira em uma Copa do Mundo. Já na primeira Copa realizada na Alemanha, a derrota por 1x0 para a Polônia foi uma boa amostra da pífia campanha do time de Zagallo. O jogo é lembrado hoje por ter sido a única partcipação do "Divino" Ademir da Guia em um Mundial. Em 1978, Brasil e Itália fizeram um jogo de frustração: o Brasil até hoje suspeita da goleada argentina sobre o Peru, que classificou os portenhos à final; e os italianos haviam perdido a vaga na decisão com uma derrota de virada para a Holanda. O jogo, disputado no mesmo Monumental de Nuñez que recebeu a final, teve um dos gols mais bonitos de todos os tempos, o de Nelinho, que empatou a partida. (O Brasil acabou vencendo por 2x1, de virada.) Mas é a declaração do treinador Cláudio Coutinho, proclamando a invicta seleção brasileira como "campeã moral", que é citada nos almanaques quando se fala deste jogo.

    Mas também já aconteceram vários jogos movimentados, especialmente quando estava em campo o time da casa. Em 2002, Coréia do Sul e Turquia fizeram uma partida inesquecível, com um futebol ofensivo de ambas as equipes e com os 22 jogadores deixando o campo abraçados ao fim da partida, aplaudidos pela torcida que compareceu a Daegu. Cena que já havia sido vista em Bari, em 1990, quando a Itália derrotou a Inglaterra por 2x1. Nos tempos das imagens em preto-e-branco, França e Alemanha fizeram uma partida que é descrita como uma das mais belas da história das Copas, com vitória francesa por 6x3. E vale acrescentar que jamais se registrou um cartão vermelho em uma decisão de terceiro lugar.

    Hoje teremos o time da casa em campo, enfrentando um adversário que pode igualar a sua melhor campanha de todos os tempos. Os alemães, que jogarão com Oliver Kahn no gol e sem Michael Ballack, contundido, já prometeram jogar para agradecer ao apoio incondicional do povo alemão durante a Copa. As perspectivas são de uma bela partida em Stuttgart, que desde o início da manhã recebe milhares de alemães e portugueses com bandeiras, caras pintadas e perucas coloridas - são fãs que certamente discordam dos mal-humorados citados no início do texto.

    por Paulo Torres  às  9:35 AM   //   3 comentários