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Futebol na Austrália - Hyundai A-League
Paulo Torres da Fonseca - 8 de dezembro de 2006

Futuro

Em 2006 a Austrália trocou a OFC (Oceania Football Confederation) pela AFC (Asian Football Confederation). Assim, a seleção e os clubes australianos poderão enfrentar regularmente adversários mais fortes em partidas competitivas, e absorver novas influências em seu estilo de jogo. O futebol praticado na Austrália é essencialmente baseado na escola inglesa, com forte marcação e ênfase no jogo aéreo.

Já a partir de 2007, dois clubes australianos disputarão a Copa dos Campeões Asiáticos. Sydney FC, campeão de 2005/06, e Adelaide United, primeiro colocado da fase de classificação, serão os primeiros representantes do país em um torneio interclubes na Ásia. A seleção australiana, após ter feito campanha surpreendente na Copa do Mundo, quando dezenas de milhares de torcedores se reuniam nas principais cidades autralianas para assistir aos jogos dos Socceroos em plena madrugada, já se classificou para a fase final da Copa da Ásia.

Mais dois times devem ser incluídos na competição, talvez já a partir de 2007. Dentre as cidades tidas como candidatas a participar da A-League, estão a capital federal Canberra, Hobart (capital da Tasmânia), Wollongong (próxima a Sydney), e a região norte de Queensland. A partir expansão da A-League deve ser bastante lenta, e não há planos para a implantação de uma segunda divisão, ou mesmo de um sistema de acesso e descenso com as ligas regionais.


Torcedores uniformizados do Sydney FC - Foto: A-League

O grande sonho dos cartolas australianos é repatriar os jogadores que disputaram a última Copa do Mundo. A presença de ídolos nacionais aumentaria o interesse da mídia, e criaria uma maior empatia com os torcedores, principalmente as crianças. O primeiro a ser repatriado foi Stan Lazaridis, zagueiro que trocou o Birmingham City pelo Perth Glory após o Mundial. Cogita-se a possibilidade de que a própria FFA contrate e banque os salários de um soceroo para cada time.

Em apenas três anos, o futebol na Austrália saiu de uma crise sem precedentes para atingir um sucesso que o coloca como um dos esportes mais populares do país. Clubes falidos, acusações de corrupção, federações regionais com medo de perder seu poder, fórmulas de disputa mirabolantes, êxodo de craques, problemas de calendário: nada disso é novidade para um certo país tropical pentacampeão do mundo. Mas os australianos tiveram vontade política vinda do governo federal; e os dirigentes que assumiram a FFA e a Liga tiveram visão empresarial para construir um novo campeonato nacional atraente para os patrocinadores. Empresas fortes investiram, sabendo que teriam um bom retorno, e que não estavam apenas colocando dinheiro nas mãos de cartolas de comportamento sempre suspeito.