A onda do dia é demonizar Bebeto de Freitas, o presidente do Botafogo que ontem invadiu o campo esbravejando contra o gol de empate botafoguense anulado pelo árbitro. O blog do Trivela, por exemplo, o coloca colocado no mesmo saco dos vários cartolas caricatos e despreparados que tanto mal fazem ao futebol brasileiro. (No globoesporte.com, estão os vídeos do gol anulado e da invasão de campo do Bebeto.)
Atitudes como essa - não é a primeira vez que ele invade o gramado para discutir com juiz - ou como os ruidosos protestos contra a arbitragem nas finais do Campeonato Carioca deste ano acabam tomando proporções maiores do que toda a sua obra como presidente do Botafogo. Bebeto de Freitas assumiu o alvinegro em 2002, ano do rebaixamento à Série B, e poucos acreditavam que o 'apequenamento' do clube pudesse ser revertido. Seis anos depois, o Botafogo voltou a ter credibilidade como "produto" e atrai patrocinadores, voltou a figurar entre os principais times do país, e tem uma estrutura que, se ainda não é de primeiro mundo, ao menos dá condições de trabalho aos atletas: a sede de General Severiano foi reformada e hoje recebe os treinos dos profissionais; o CT de Marechal Hermes, subúrbio do Rio, foi recuparado e é usado pelas categorias de base; e o Engenhão foi arrendado pelo clube, oportunidade que foi desprezada pelas diretorias dos rivais Flamengo e Fluminense.
Bebeto de Freitas deveria, no mínimo, assumir que não consegue conter seu lado torcedor durante as partidas e evitar fazer esse tipo de papel. Bebeto, que deixará a presidência do Botafogo ao fim do ano, será lembrado por muitos pelas invasões de campo e pelo "chororô", e não por ter devolvido a esperança e a auto-estima à torcida botafoguense.
Pontos rápidos sobre o jogo, movimentado e disputado, mas com muitas e muitas falhas cometidas pelas duas equipes:
- O Inter tinha jogadores visivelmente mais qualificados que os do Galo em pelo menos oito posições, mas o TIME colorado se nivelou ao time alvinegro. E isso deve ser creditado na conta do Tite.
- César Prates, lateral-esquerdo atleticano, errava passes na saída de bola, se atrasava em todos os ataques colorados, estava se esforçando pra entregar o jogo. E o Inter não tinha ninguém atacando por aquele setor. Mais uma pro Tite.
- O argentino D'Alessandro entrou apenas no segundo tempo, e parecia parecendo ter comido seis feijoadas antes do jogo.
- Os dois goleiros, Juninho e Lauro, cometeram falhas grosseiras.
- Castillo, centroavante boliviano do Galo, é raçudo e brigador. Corre em bola perdida, luta, marca a saída de bola adversária. Mas tecnicamente, faz os nada saudosos Quirino e Mixirica parecerem Klinsmann e Van Basten.
Brasileirão, rodada número 5
E segue o Brasileirão, ainda sem empolgar muita gente - exceto cruzeirenses e flamenguistas, líderes até o momento. Vários times estão com técnicos recém-estreados (Atlético-PR, Botafogo, Santos, o Inter segue ainda sem comandante), outros já dão como certa uma reformulação do elenco após o Super-Feirão de Craques a se realizar em julho (Palmeiras, São Paulo, e até mesmo o Cruzeiro).
Mas esses pontinhos conquistados nessa fase pré-janela de transferências farão diferença ao fim do campeonato. E já colocam sim Fla e Cruzeiro como candidatos reais à taça.
Os destaques da rodada, em vídeos do globoesporte.com: O pênalti infantil cometido pelo volante Amaral, do Goiás, na derrota de 5x0 para o Atlético-PR. O controverso tiro livre indireto contra o Vasco, que resultou no solitário gol da vitória cruzeirense. E o Ipatinga causando furor nas casas de aposta ao se manter FORA da zona de rebaixamento pela segunda rodada consecutiva, com o sonolento empate sem gols frente ao Náutico.
Quanto ao meu Atlético, quem melhor comentou foi o André Rizek em seu blog: E o Atlético Mineiro... É um Barueri. Um time café-com-leite. E irritantemente desanimado. Esta derrota já estava na conta, tudo bem. Mas vir até o Morumbi apenas para esperar o tempo passar não dá.
Brasileirão 2008 - Rodada 1
...e começou o Campeonato Brasileiro 2008! Já na primeira rodada, tive a honra de presenciar o pior jogo de 2008: Atlético-MG 0x0 Fluminense. Se nas próximas 37 rodadas acontecer alguma partida que consiga ser pior que essa, vai ter torcedor arrancando fora os próprios olhos para não ter que ver mais futebol. Assistam os melhores momentos e me dêem razão.
Mas houve bons jogos na rodada. Portuguesa 5x5 Figueirense, pelo que vi no compacto da partida, foi recheado de emoções (e de falhas defensivas). A Lusa, com uma equipe muito ofensiva e o arisco Diogo no ataque, promete protagonizar jogos cheios de gols. Outro bom jogo foi disputado entre um time de camisa cinza e outro amarelo-interruptor, que me disseram serem os outrora alviverdes Coritiba e Palmeiras. Boa vitória do Coxa por 2x0 em seu retorno à Série A.
Timão na segundona, pela segunda vez
Como todo mundo já viu, o Corinthians foi rebaixado e em 2008 disputará pela segunda vez a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Segunda vez, isso mesmo. No início dos anos 80, os participantes da Taça de Ouro (como era chamada a primeira divisão daqueles tempos) eram definidos pela colocação dos campeonatos estaduais.
No Paulistão de 1981, o Timão foi apenas o nono colocado. São Paulo, Ponte Preta, Santos, Inter de Limeira, São José e XV de Jaú, os seis primeiros, se classificaram para a Taça de Ouro de 1982. O Corinthians jogou a Taça de Prata, com as ilustres companhias de Palmeiras e Portuguesa. E fez uma bela campanha, confira:
Com cinco vitórias e dois empates em sete partidas, se classificou ao lado de América-RJ, Atlético-PR e do simpático rubro-verde gaúcho, o São Paulo de Rio Grande, para a segunda fase da Taça de Ouro. Complicado esse regulamento, mas era assim que a banda tocava naquele tempo.
Na Taça de Ouro, o Corinthians venceu um grupo com o Flamengo de Zico (que seria campeão naquele ano), o Internacional e o Atlético-MG de Éder e Reinaldo na segunda fase. Depois, eliminou em mata-matas o Bahia e o Bangu - que contava com a grana do bicheiro Castor de Andrade, uma espécie de Boris Berezovsky de pornochanchada - e caiu nas semifinais com duas derrotas para o Grêmio, então campeão mundial.
No segundo semestre, foi campeão paulista. E naquela temporada iniciada na Taça de Prata começaria a surgir a Democracia Corinthiana, um momento único na história do esporte brasileiro, onde os atletas ganharam voz ativa e direito de opinião nos rumos da equipe. (Nesse link tem um texto legal a respeito do movimento.)
Esperemos que o Corinthians novamente encontre forças para se reorganizar dentro e fora de campo, e volte a ser um time guerreiro, temido pelos adversários, que revela jogadores para a seleção brasileira. E que, em 2008, jogue sério a Série B, porque não é qualquer um que consegue derrotar o Fortaleza no Castelão, o ABC lá no Frasqueirão, o Marília no Abreuzão...
Golaço do Fla em Caxias
Esse gol do Léo Moura ontem o primeiro do empate em 2x2 do Flamengo contra o Juventude, é para emoldurar e pendurar na parede da sala de visitas. Saíram com a bola da intermediária do campo de defesa, e em meia dúza de passes, quase todos de primeira, chegaram ao gol. Com direito a um corta-luz de gênio do lateral rubro-negro.
Outro gol desses, em um futebol brasileiro que parece cada vez mais inclinado ao "vamo que vamo" do que à técnica, habilidade, visão de jogo e organização tática, acho que só lá pelo Brasileirão de 2017.
Técnicos do Brasileirão
Quase a metade dos vinte times que disputarão a Série A do Brasileirão trocaram de técnico nesse intervalo entre o fim dos estaduais e o início do Campeonato Brasileiro. São eles: América-RN - trocou Estevam Soares por Lori Sandri Atlético-MG - Levir foi pro Japão, Geninho está por ser confirmado Corinthians - Leão não deixa saudades, Carpegiani assume o barco Cruzeiro - Autuori caiu, Dorival Júnior assume Fluminense - Joel Santana foi trocado por Renato Gaúcho Goiás - Geninho saiu e deve ser contratado o campeão goiano Artur Neto Inter - sai Abel, entra Gallo Sport - Gallo se mandou pro Inter, Giba o substitui Vasco - em lugar do fanfarrão Renato, entrou o turrão Celso Roth
Três equipes seguem com o treinador contratado no início de 2007: Figueirense (Mário Sérgio), Palmeiras (Caio Júnior) e Paraná (Zetti). O Náutico perdeu Hélio dos Anjos para o futebol árabe em março e contratou Paulo César Gusmão para seu lugar.
Seis times que mantêm o mesmo treinador desde 2006: Santos (Luxa), São Paulo (Muricy), Flamengo (Ney Franco), Atlético-PR (Vadão), Botafogo (Cuca) e Juventude (Ivo Wortmann) E o Grêmio conta com os serviços de Mano Menezes desde o primeiro semestre de 2005.
Dentro de cada um desses grupos, há situações distintas. Cuca está ainda lapidando uma equipe competitiva no Botafogo, enquanto a relação Santos-Luxemburgo já apresenta sinais de deterioração. Luxa pode cair em caso de eliminação da Libertadores. Celso Roth teve quase um mês para treinar o Vasco antes da estréia no Brasileirão, enquanto Galo, Cruzeiro e Goiás, finalistas de seus estaduais, trocam de técnico na semana da estréia.
Agora é comprar o pay-per-view, o carnê de ingressos e ver em que isso trudo vai dar. Palpites? Não mais que quatro times vão terminar o campeonato com o mesmo técnico. E todos aqueles recém-demitidos acima citados conseguirão novos empregos. Assim mesmo, no plural.