Show de Bola

Home | Campeonatos | Resultados | Blog | Colunas | Ranking | Enciclopedia | Fale conosco

  Bola em Jogo
O jogo de 9.314 km

Chute a Gol
Futebol é igual lingüiça

Arquibaldos & Geraldinos
Hacked By MANDRAKEDF

A Voz do Torcedor
O relato de um americano fiel

Coisas da Bola
Quarta-feira: dia de futebol!

Panorâmica
Recomeço

Alçapão da Vila
O Terror e o futebol

Brasil Futebol Clube
A Velha Mania...

Futebol nas entrelinhas
Piramide Bola-Brasil

Futebol Show
Brasileirão 2003, quem ganha?

Gol de Placa
Uma decisão inesquecível

O nosso time é timão
Brasileirão por pontos corridos: por que não?

Tá na área
Que sofrimento!

Primeiro Pau
MULHERES 1 x FUTEBOL 1

 
border=0
Vinte anos hoje
23 de Novembro de 2006

Pereira; Flávio (Vandinho), João Pedro, Luisinho e João Luís (Paulo Roberto); Elzo, Éverton e Zenon; Sérgio Araújo, Reinaldo Xavier e Renato. Esse foi o time do Clube Atlético Mineiro que no dia 23 de novembro de 1986 enfrentou o Corinthians, no Mineirão, pela segunda fase do Campeonato Brasileiro daquele ano. Hoje esse jogo completa vinte anos. E aquela tarde de domingo marcou a minha primeira vez em um estádio de futebol.

Meu pai, atleticano, levou também meu irmão, dois anos mais novo que eu, que pouco se interessava por futebol e anos mais tarde se tornou torcedor do América. Poucos detalhes lembro do jogo. Ficamos atrás do gol da Lagoa (o gol à esquerda das cabines de TV), e daquele lado saiu o único gol do jogo, ainda no primeiro tempo. Gol do Corinthians, acabando com uma série de mais de vinte jogos de invencibilidade do Galo, que era líder de seu grupo naquele complicado Brasileirão. No segundo tempo, um gol do Galo anulado, impedimento. E um pênalti que o juiz ladrão não marcou, bem ali na nossa frente. Claro, não era eu um grande conhecedor de futebol; o atacante do Galo caiu dentro da área, logo, pênalti, pai, por que o juiz não marcou esse pênalti?

Lembro do rádio de pilha que meu pai levou, já velho naquela época, grande, pesado e com uma capa marrom. Três vezes maior e cinco vezes mais pesado do que o rádio que hoje é minha mais fiel companhia futebolística.

Houve também um incidente nesse jogo. Um corre-corre nas arquibancadas, causado por um enxame de abelhas que se alojava em uma junta da arquibancada. Não lembro se meu pai mandou que eu e meu irmão corrêssemos, ou se ele nos carregou, mas lembro bem da sua expressão de preocupação, tinha medo de que nos perdêssemos, ou mesmo de que fôssemos pisoteados. Mais de 54 mil pessoas estavam no Mineirão naquela tarde, controlar duas crianças em meio a um pequeno tumulto não devia ser tarefa das mais simples. Lembro que o grande clarão aberto no meio da arquibancada muito me impressionou - por uns vinte segundos, até que o jogo retomasse minha atenção.

Aquele menino de oito anos gostou da experiência, mesmo com o corre-corre, mesmo com a derrota. Encarar a fila para comprar ingresso, escolher um bom lugar naqueles intermináveis degraus de concreto, pagar por um chicabom o dobro de seu valor habitual, acompanhar pelo placar eletrônico o andamento dos demais jogos da rodada, voltar para casa escutando as entrevistas com os jogadores; cada um desses pequenos rituais parecia ter um significado, que meu pai conhecia muito bem. Havia ali todo um universo fascinante a ser explorado.

Nos anos seguintes, meu pai ainda me levou a alguns jogos do Galo no Mineirão. Não muitos, um ou dois jogos por ano. Hoje ele gosta de ver os jogos pela TV, em casa ou em um bar com seus amigos, enquanto eu vou ao Mineirão e repito todos aqueles rituais que me encantaram vinte anos atrás. A última vez que fui com meu pai ao Mineirão foi também as primeira vez em que fui dirigindo para lá, poucos dias depois de ser aprovado no exame do DETRAN. Atlético 2x1 Jorge Wilstermann, Copa Conmebol de 1998, noite de quarta-feira. Meu pai queria não ver o confronto contra o então campeão boliviano, mas assegurar-se de que seu carro voltaria inteiro para casa.

Nesses vinte anos, vi meu time ganhar alguns títulos - menos do que eu gostaria, mas cada um deles com um lugar especial na memória. Vi jogarem pelo Atlético Taffarel, Doriva, Valdo, Guilherme, Marques, São Velloso, Euller, Gilberto Silva. Vi também alguns jogadores daquele Corinthians que atrapalhou minha estréia no Mineirão defendendo as cores do Galo: o goleiro Carlos, o meia Cristóvão e o centroavante Edmar, autor daquele fatídico gol. Comecei a freqüentar também jogos do América, por influência do meu irmão e também de um amigo de escola, que era atleticano de família americana - e hoje raramente perco um jogo do América no Independência. Assisti jogos da Seleção Brasileira, fui a uma Copa do Mundo, conheci estádios Brasil afora. E o encanto ainda é o mesmo daquele 23 de novembro de 1986. E um dia, quem sabe, serei eu a levar meu filho para sua primeira tarde de domingo em um campo de futebol.

Paulo Torres, atleticano, será fanático por futebol por mais 20, 40, 60 anos.