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Domingão de finais e de web!
12 de Abril de 2006

No último domingo foram disputadas as finais de onze campeonatos estaduais Brasil afora. E, graças a essa maraviha do mundo moderno que é a Internet, consegui escutar os momentos decisivos de várias dessas finais. Pela manhã, logo que acordei, sintonizei a Rádio Espírito Santo e escutei na íntegra a vitória do Vitória sobre o Estrela do Norte, que garantiu o título capixaba para o time alvianil depois de 30 anos na fila. Estádio lotado, um técnico e três jogadores expulsos, um dos expulsos (estrelino) declarando à rádio "C***lho! P***a! Tá roubando pra c***lho!", como manda o espírito esportivo e a boa educação... Enfim, um jogo que já valeria o meu domingo. Mas era só o começo!

Como o campeonato mineiro foi decidido uma semana antes dos demais - e sem o meu time na final - o programa da tarde seria ver as decisões paulista e carioca pela TV. O favoritismo de Santos e Botafogo era enorme, e em menos de meia hora de jogo os títulos dos dois alvinegros já estavam confirmados. Então, o melhor a fazer era trocar a TV pelo computador.

E os deuses dos estádios me abençoaram: foi possível escutar os mnutos decisivos de vários jogos. Comecei "sintonizando" (acho que o melhor termo aqui seria acessando) a 730 AM de Goiânia, e ouvi a pressão do Atlético Goianiense em busca do gol de empate nos últimos dez minutos de jogo. Torcia pelo Atlético, pois seu principal jogador, Ronildo, foi um verdadeiro anti-herói do meu Galo por quatro longas temporadas - amado por poucos e criticado por muitos, mas hoje um jogador que nos deixou boas recordações. Mas não deu para o time do Ronildo, e o Goiás levou a taça para a Serrinha com a vitória de 1x0.

Rumei ao Sul e sintonizei uma rádio genérica do interior gaúcho que retransmitia a Rádio Gaúcha, e ouvi os acréscimos do Gre-Nal. Ao final de jogo, festa azul no Beira-Rio calado. Sem levantar o traseiro da cadeira, atravessei o país em busca de mais futebol, e escutei duas decisões por pênaltis em duas rádios homônimas: pela Rádio Clube de Belém, ouvi o surpreendente Ananindeua desperdiçar três cobranças e perder o título para o Paysandu, e cheguei à Rádio Clube do Recife no momento exato em que o tricolor Carlinhos Bala era expulso, em plena disputa de pênaltis, por ter feito gestos obscenos após converter a terceira penalidade do Santa Cruz. E a disputa foi até o sétimo pânalti, terminando em 5x4 para o Sport, que jogava em casa. A torcida rubro-negra comemorou muito a vitória sobre o seu maior rival, que esse ano será o único clube do estado na Série A nacional.

Já eram quase 7 da noite, e ainda não tinha acabado o dia de futebol: a decisão potiguar, disputada pela primeira vez na história entre duas equipes do interior (os rivais mossoroenses Baraúnas e Potiguar), havia começado mais tarde Pela Rádio Globo de Natal - que retransmitia uma emissora de Mossoró - ouvi todo o tumultuado segundo tempo do jogo. O primeiro tempo havia terminado em 2x0 para o valente Potiguar, que precisava de uma vitória por 3 gols de diferença para repetir a conquista de 2004. Nos últimos 45 minutos, não faltou emoção: um gol e uma expulsão para cada lado, muita pressão do Potiguar, contra-ataques perigosos do Baraúnas, e no finalzinho do jogo, pancadaria generalizada com direito a invasão de campo pela torcida. Após mais de dez minutos de interrupção, com mais uma expulsão para cada time, ainda houve tempo para o apagão uma das quatro torres de iluminação, antes do apito final do juiz e da festa do Baraúnas, campeão estadual pela primeira vez.

Foi um domingo único, em que passei pelas cinco regiões do Brasil e ouvi, mesmo que com sotaques e palavras diferentes, a emoção universal do futebol. É uma pena que a dita "grande mídia" não dê espaço a esses times espalhados Brasil adentro, que têm torcedores tão apaixonados e vibrantes quanto os dos grandes times paulistas, cariocas, mineiros e gaúchos.

Paulo Torres, atleticano, acha que acordar cedo em pleno domingo pra escutar a final do Capixabão é algo normal.