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O país da confusão eterna
07 de Julho de 2005

Mais dois países sul-americanos, Bolívia e Uruguai, passam este ano a adotar o calendário europeu, com o campeonato nacional começando em agosto e terminando em maio do ano seguinte. Argentina e Venezuela já seguem este calendário há mais de uma década, e a tendência é de que em poucos anos todo o continente se adeque ao ritmo ditado pelos compradores de nossos craques.

Bolivianos e uruguaios criaram campeonatos-tampões para preencher o primeiro semestre deste ano. Na Bolívia, o "Torneo Adecuación", um campeonato em turno e returno com duas rodadas por semana; e no Uruguai o "Torneo Uruguay Especial", um campeonato em turno único e sem rebaixamento.

No último domingo, foi disputada a última rodada do Torneo Uruguay Especial. Nacional e Defensor estavam empatados na liderança, e caso essa situação persistisse seria realizado um play-off para a decisão do título. O Defensor, fora de casa, venceu o Cerrito com facilidades, e o Nacional apenas empatava com o Rocha em 2x2, até que aos 52 minutos do segundo tempo, através de um pênalti muito contestado, conseguiu fazer o gol da vitória.

O Defensor sentiu-se prejudicado pelas arbitragens e decidiu não disputar o play-off decisivo. Para a Associación Uruguaya de Fútbol, não restou outra solução que não proclamar o Nacional como campeão. Veja aqui e aqui notícias mais detalhadas sobre o ocorrido, e aqui a tabela completa do campeonato.

Há muito tempo a confusão reina no futebol uruguaio. No ano passado, foi feito um regulamento de tão difícil interpretação que foram necessárias várias reuniões entre os dirigentes dos clubes finalistas e da AUF para decidir em quantos jogos seria a decisão e quem teria vantagem, o que culminou com a renúncia do presidente da AUF. Essa mesma coluna já explorou o tema, em dezembro último.

Em 2000, a equipe do Villa Española foi excluída do campeonato por não ter um estádio próprio. Uma atitude embasada pelo regulamento do campeonato, mas curiosamente ocorrida NO MEIO da disputa (mais precisamente, no intervalo entre os torneios Apertura e Clausura). Greves de jogadores são constantes, e a forma de disputa do camperonato, alterada ano após ano, eram de causar inveja aos nossos mais inventivos presidentes de federações estaduais.

Espero que a confusão atual e a adequação do calendário sirvam como ponto de partida para uma grande reformulação em toda a estrutura do futebol uruguaio, fortalecendo de tabela as disputas continentais - hoje praticamente restritas a Brasil e Argentina - e todo o futebol sul-americano.

Paulo Torres, atleticano, cresceu em um tempo onde os clubes e a seleção do Uruguai eram respeitados e temidos.