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Primeiro e Único
13 de Julho de 2004

Sou um fanático por futebol desde pequeno, e em meus quase vinte anos de fanatismo tive a oportunidade de assistir inúmeros gols marcados pelo Rei Pelé durante sua carreira. Especiais de TV, videotapes da final da Copa de 1970, aluguei "Isto É Pelé" pelo menos meia dúzia de vezes. Sempre li tudo o que podia sobre o esporte bretão, e sei de cor descrever o Gol de Placa, sei das lendas "a Seleção Brasileira parou uma guerra", "a torcida expulsou um juiz que expulsou o Pelé" e "o zagueiro que foi vaiado pela própria torcida ao evitar o milésimo gol", nada disso é novidade para mim.

Por isso, me surpreendi ao ver as reações de surpresa de todos que assistiram ao documentário Pelé Eterno na mesma sessão que eu. Havia todo o tipo de gente no cinema: pais (e mães!) levando os filhos pequenos, aposentados, mulheres, adolescentes, gente que queria rever os grandes lances do Atleta do Século e gente que só conhecia o Pelé comentarista/ministro/empresário/garoto-propaganda. Nos gols mais espetaculares, todo o cinema fazia um "oohhh" de surpresa; nas seqüências de dribles e acrobacias com a bola, alguns gargalhavam, outros apenas admiravam as imagens fantásticas. Eu cheguei a comemorar alguns gols, e me emocionei no jogo do "Fica!", a célebre despedida de Sua Majestade da seleção, no Maracanã.

Sim, o filme tem muitos defeitos. Faltam informações sobre os jogos (nada que uma discreta legenda com a data e o placar de cada partida não resolvesse); muitas vezes o nome de jogadores adversários foi omitido, mesmo de dois dos protagonistas dos "gols que Pelé não fez", os goleiros Viktor, da Tchecoslováquia, e Mazurkiewicz, do Uruguai; é um filme bem chapa-branca, que ignora as polêmicas pós-futebol em que Pelé se envolveu. Mas o importante é o resgate das imagens do grande gênio do futebol, do maior ídolo de um país que tem por hobby falar mal de seus ídolos.

A imagem que a minha geração tem de Pelé é a de um ex-jogador que coleciona filhos, negócios mal explicados, palpites infelizes e brigas públicas. O homem Edson vinha destuindo o mito Pelé. A minha geração viu Maradona brilhar, carregar a Argentina para um título mundial e ser duas vezes campeão italiano com o Napoli. E minha geração não se lembra do Mané Garrincha decadente e esquecido, apenas o conheceu por testemunhos de cronistas saudosistas. Quando comentei que iria assistir esse filme, minha irmã perguntou se o Pelé foi melhor que o Ronaldinho.

Pelé foi um jogador completo como nenhum outro. Gosto de dizer que ele tinha o preparo físico do Cafu, driblava como Ronaldinho Gaúcho, cabeceava melhor que o Jardel, lançava melhor que o Beckham, cobrava faltas melhor que o Zico, fazia cruzamentos como o Arce, finalizava melhor que o Batistuta e tinha uma visão de jogo melhor que a do Zidane. O filme mostra que ele era muito melhor que isso.

Pelé Eterno encerra qualquer discussão sobre o melhor jogador de futebol de todos os tempos. E coloca Pelé nas telas do cinema, um lugar digno de quem fez com os pés imagens ainda mais impressionantes do que aquelas que custam milhões de dólares aos estúdios de Hollywood.

Paulo Torres, atleticano, vai comprar o DVD de Pelé Eterno assim que ele for lançado.