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Simplesmente Alex
18 de Outubro de 2003
Conforme escrevi em minha última coluna, sou um torcedor cheio de manias. Uma delas é observar determinado jogador mesmo quando ele está sem a bola, longe da jogada, acompanhar sua movimentação por todo o campo.
Domingo passado, Atlético x Cruzeiro, acompanhei o Alex. Confesso que, de minha desconfortável posição de torcedor rival, vinha assistindo com pouco interesse - até mesmo com algum desprezo - aos jogos do líder absoluto do Brasileirão. E até então não tinha visto Alex das arquibancadas, só pela TV.
Pela televisão, podemos ver os passes velozes e as finalizações precisas do camisa 10 cruzeirense. Assistindo no estádio, vi um Alex obstinado, aguerrido, determinado. Quando o Atlético atacava, Alex recuava, acompanhando um dos volantes alvinegros. Nos ataques cruzeirenses, Alex se movimentava todo o tempo, buscando sair da forte marcação de Marcelo Silva e criar espaços para seus companheiros. Mesmo estando longe da jogada, Alex estava sempre concentrado na bola e poderia a qualquer momento surgir livre em posição de concluir para o gol.
O craque é aquele que antevê a jogada, dizem alguns. Alex antevê a jogada. No instante em que a bola chega a seus pés, Alex já sabe a posição de cada jogador no campo, e sabe para onde o goleiro adversário está olhando - no segundo tempo do clássico, quase conseguiu surpreender São Velloso num chute da linha lateral da área.
Alex joga de cabeça erguida, sem olhar para a bola quando a está conduzindo. Ele olha nos olhos de seu marcador no momento do drible, ola nos olhos de seu companheiro no momento do passe.
Hoje, Alex é um jogador completo. Habilidoso, inteligente, veloz, oportunista, cumpre com perfeição suas funções defensivas, é o líder da equipe dentro de campo e o ídolo maior de sua torcida. E parece estar completamente concentrado em vencer cada partida, durante os 90 minutos de jogo. Acredita em todos os lances e nunca deixa de lutar. Poucos se lembram que Alex há poucos anos foi chamado de "Alexotan", ou de "Soneca".
Não é fácil admitir isso sobre o camisa 10 do maior rival do meu time, mas é um privilégio poder ver Alex jogando. Poucas vezes o futebol mineiro contou com um jogador de tamanho talento. O título que cada vez fica mais próximo do Barro Preto colocará Alex ao lado de Tostão, Piazza, Niginho, Dida e Dirceu Lopes como um dos maiores craques da história do Cruzeiro. Seu nome ficará para sempre na memória dos torcedores mineiros, como grande ídolo ou como grande vilão. Para mi, será as duas coisas: um vilão por conduzir o Cruzeiro ao maior título de sua história, e um ídolo por todo o talento que ele exibe a cada jogo.
Paulo Torres, atleticano, é anticruzeirense e fã de Alex.
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