Show de Bola

Home | Campeonatos | Resultados | Blog | Colunas | Ranking | Enciclopedia | Fale conosco

  Bola em Jogo
O jogo de 9.314 km

Chute a Gol
Futebol é igual lingüiça

Arquibaldos & Geraldinos
Hacked By MANDRAKEDF

A Voz do Torcedor
O relato de um americano fiel

Coisas da Bola
Quarta-feira: dia de futebol!

Panorâmica
Recomeço

Alçapão da Vila
O Terror e o futebol

Brasil Futebol Clube
A Velha Mania...

Futebol nas entrelinhas
Piramide Bola-Brasil

Futebol Show
Brasileirão 2003, quem ganha?

Gol de Placa
Uma decisão inesquecível

O nosso time é timão
Brasileirão por pontos corridos: por que não?

Tá na área
Que sofrimento!

Primeiro Pau
MULHERES 1 x FUTEBOL 1

 
border=0
O Dia da Vergonha
20 de Maio de 2003

Terça-feira, 20 de maio de 2003. Na tarde de hoje, a CBF, o Clube dos 13 e mais representantes de oito clubes da Série A e de três federações estaduais se reuniram no Edifício João Havelange, sede da CBF na Barra da Tijuca, e decidiram suspender todas as partidas de futebol no território nacional por tempo indeterminado. O motivo: a entrada em vigor do Código do Torcedor, um pacote de leis que visa aumentar o conforto e a segurança do público de eventos esportivos e tornar os dirigentes responsáveis por essa segurança.

Essa paralisação não é séria. É uma decisão tomada com o apoio de oito clubes, entre os 24 que disputam a Série A. Clubes com uma administração impecável, como o Vitória, ou com dirigentes de posições fortes, como Roque Citadini, do Corinthians, ou mesmo a Futebol Brasil Associados, entidade que congrega a maioria dos clubes da Série B, sequer foram consultados. A paralisação do Brasileirão é uma decisão sem qualquer legitimidade. É uma tentativa de colocar a opinião pública contra o Código do Torcedor e ao lado daqueles dirigentes que temem perder seus mandatos "não-remunerados", que temem a obriggatoriedade de prestar contas ao público, de publicar balanços financeiros de suas gestões.

O simples fato de essa atitude ter sido tomada após a entrada em vigor do Código já é uma prova clara da INCOMPETÊNCIA geral dos dirigentes esportivos do Brasil. O Código do Torcedor está em discussão há pelo menos um ano, veículos de imprensa como o jornal Lance! dão ampla cobertura a cada discussão sobre a nova lei, houve até mesmo um jogo-teste para este Código, entre Corinthians e Fluminense, no Pacaembu, válido pelo Campeonato Brasileiro de 2002. E por que só agora os cartolas resolvem gritar? Se eles consideram alguns pontos da nova lei impossíveis de se cumprir, por que não protestaram antes da sanção presidencial? Ou porque acreditavam que essa lei fosse "pegar", ou por puro desconhecimento do assunto. E desconhecer um projeto que vai alterar de forma tão profunda a relação entre os promotores de eventos esportivos e o público é algo que atinge patameres jamais imaginados de incompetência.

Talvez os dirigentes tenham razão em algumas de suas queixas. Por exemplo, acredito que a responsabilidade por falhas na segurança dos estádios seja dos proprietários do estádio, não do clube mandante (ou, ainda melhor, dividida entre os dois). Mas isso não justifica uma manobra covarde e retrógrada como essa. O esporte no Brasil deverá ser tratado como um negócio sério, de agora em diante, sujeito às leis e à fiscalização pública. Quem não tiver competência para tal, que se afaste da administração esportiva e deixe espaço para pessoas íntegras e responsáveis.

CBF, Clube dos 13, as federações de Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, e principalmente os oito clubes que estiveram na vergonhosa reunião do medo (Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Santos e Vasco da Gama) deveriam, no mínimo, ter colocado em discussão suas propostas durante a elaboração do Código do Torcedor. Agora, parecem estar fugindo da responsabilidade, parece que querem todos os benefícios (isenção fiscal, financiamento de dívidas, etc) mas sem assumir nenhuma obrigação com aqules que consomem o produto "futebol".

Paulo Torres, atleticano, espera que um dia possa encontrar um banheiro limpo e um estacionamento seguro em um estádio de futebol no Brasil.