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Novos tempos, erros antigos
18 de Março de 2003
Maracanã, 29 de junho de 1990. O Botafogo vence o Vasco por 1x0 na final do Campeoanto Carioca. O Botafogo chegou à final como time de melhor campanha do campeonato. O Vasco foi o campeão da Taça Guanabara, venceu uma partida contra o Fluminense, campeão da Taça Rio, que decidiu quem enfrentaria o Botafogo na final. O regulamento do campeonato dizia que, em caso de empate por pontos ganhos nas finais, seria jogada uma prorrogação. Mas incluía nas "finais" o jogo Vasco x Fluminense. Logo, o Vasco considerou que a prorrogação aconteceria se o Botafogo vencesse a partida: o Botafogo teria dois pontos, pela vitória sobre o Vasco, e o Vasco também teria dois pontos, pela vitória sobre o Flu. O Botafogo julgava que a prorrogação seria jogada em caso de empate na partida decisiva, e que Vasco x Flu apenas havia decidido o outro finalista. Ao final da partida, os botafoguenses pegaram a taça, deram a volta olímpica e deixaram o Maracanã. O time do Vasco aguardou 30 minutos pelo retorno do Botafogo para a disputa da prorrogação, e deu mais uma volta olímpica, dessa vez sem a taça. Em 9 de agosto o TJD confirmou o título botafoguense.
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Morumbi, 22 de março de 2003. Corinthians e São Paulo fazem a segunda partida da final do Campeonato Paulista. No primeiro jogo, vitória corintiana por 3x2. Em caso de vitória tricolor por um gol de diferença no segundo jogo, quem leva a taça? O regulamento diz que a vantagem é da equipe com a melhor campanha em todo o campeonato (o São Paulo). Mas o mesmo regulamento também afirma que a equipe com menos cartões durante todo o campeonato tem a vantagem (o Corinthians). Um possível 1x0 sãopaulino poderá levar a duas voltas olímpicas...
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Estádio Olímpico, 11 de dezembro de 1994. Campeonato gaúcho inchado, com 23 participantes, se estendendo de março a dezembro. O Grêmio, que ainda disputou naquele ano o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, a Supercopa e a Taça Libertadores, tinha diversos jogos adiados. O ano estava terminando e não havia datas suficientes. A solução? Naquele domingo, o Grêmio fez três jogos consecutivos. Às 14 horas, empatou com o Aymoré por 0x0. Às 16 horas, venceu o Santa Cruz por 4x3. E às 18 horas venceu o Brasil de Pelotas por 1x0. E o atacante Paulo Nunes participou dos três jogos.
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Morumbi, 16 de novembro de 1994. O São Paulo, depois de participar do Campeonato Paulista, da Copa do Brasil e da Libertadores no primeiro semestre, estava disputando simultaneamente o Brasileirão, a Supercopa e a Copa Conmebol, esta última com um time B, o popular "expressinho". Naquela quarta-feira, o São Paulo enfrentou o Sporting Cristal, do Peru, às 19 horas, pelas quartas de final da Copa Conmebol. Venceu por 3x1. E às 21:30 jogou contra o Grêmio, pela segunda fase do campeonato Brasileiro. Novemente venceu por 3x1. Juninho Paulista disputou 45 minutos em cada partida.
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Barradão, 16 de março de 2003. O Vitória faz sua quarta partida em cinco dias. Na quarta-feira, no mesmo Barradão, havia perdido por 1x0 para o Tocantinópolis pela Copa do Brasil. Na sexta-feira, em Itabuna, venceu o time local por 1x0, no jogo de ida das semifinais do Campeonato Baiano. Sábado, em Feira de Santana, empatou com o Fluminense de Feira por 1x1 no primeiro jogo da final do Campeonato do Nordeste. Domingo, no jogo de volta das semifinais do estadual, voltou a vencer o Itabuna, desta vez por 2x0.
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Assunção, 1998. A Confederação Sul-Americana anuncia a criação da Copa Mercosul, torneio com cotas milionárias da qual participariam apenas clubes convidados. Entre os brasileiros, estavam o Corinthians e o Cruzeiro, saídos de campanhas vexatórias no Brasileiro de 1997, quando escaparam do rebaixamento apenas na rodada final. O Cruzeiro foi campeão da Libertadores de 1997, pode-se alegar, mas a vaga do Corinthians jamais poderia ser justificada por qualquer critério objetivo. E entre os argentinos, o Racing, que se arrastava ano após ano com campanhas medíocres no Campeonato Argentino e estava à beira de ter sua falência decretada. O torneio feito sob encomenda da TV teve apenas quatro edições, nenhuma credibilidade, estádios vazios. Teve finais históricas, que despertavam o público e davam grande audiência, é verdade, mas para chegar lá os clubes atravessavam três meses de maratonas de jogos quarta-domingo, inchando seus calendários e sacrificando seus craques. O Palmeiras chegou a fazer mais de 80 jogos em 1998 e 1999.
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Assunção, 17 de março de 2002. A Confederação Sul-Americana anuncia a segunda edição da Copa Sul-Americana. Dentre os clubes brasileiros, os seis primeiros colocados do Brasileirão de 2002 e mais seis clubes indicados por um ranking fajuto feito às pressas apenas para mascarar a participação de diversos clubes por indicação das TVs. Ente os clubes indicados pelo ranking, estão o Palmeiras, time da Série B, e mais Internacional e Flamengo, que escaparam da segundona no photochart. O Juventude, sétimo colocado que que comemorou a conquista em campo de uma vaga para a Copa Pan-Americana (que acabou extinta antes mesmo de começar) ficou de fora.
E o calendário da Sul-Americana será uma festa: a primeira fase será disputada no final de julho, período em que haverá rodadas do campeonato brasileiro em todos os meios de semana. Ou seja, maratonas para os 12 brasileiros. Muitas equipes estarão sofrendo o desfalque de jogadores que estiverem se transferindo para o futebol europeu. Não bastasse, será o período em que a seleção olímpica estará disputando a Copa de Ouro nos Estados Unidos.
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Não basta um campeonato nacional longo e por pontos corridos. Isso de nada valerá se o futebol brasileiro e sul-americano continuar a ser desorganizado, com calendário apertado e sujeito a mudanças repentinas. A Seleção Brasileira ainda não sabe quais amistosos disputará em 2003. Hoje, 18 de março, está sendo especulado um possível amistoso contra Marrocos no dia 2 de abril. Daqui a duas semanas! Clubes jogam sem tempo para treinar, craques e gramados são castigados. Os cartolas parecem disputar qual deles é capaz de bolar o regulamento mais estapafúrdio. Torneios são criados e extintos a cada ano. Os clubes conquistam vagas em campeonatos nos bastidores, sempre sob suspeita de negociatas escusas.
Na Europa todos sabem, no início da temporada, quantos clubes se classificam para os torneios continentais. Na Itália os quatro primeiros vão para a Champions League, quinto, sexto e o campeão da Copa da Itália jogam a Copa da UEFA e sétimo e oitavo têm o direito de jogar a Copa Intertoto. Não se inventam torneios-tampão, viradas de mesa não são nem mesmo cogitadas. Clubes devedores são punidos, às vezes rebaixados. A tradicionalíssima Fiorentina foi extinta, por ser incapaz de pagar sua dívida de 26 milhões de dólares! Cartolas comprovadamente corruptos (Bernard Tapie, Jesús Gil y Gil) vão parar atrás das grades.
Na América do Sul, não sabemos ainda se essa Copa Sul-Americana terá uma terceira edição, e nem imaginamos qual será a mágica usada por CBF/Conmebol/Traffic para encaixar seus clubes preferidos nesse torneio. Sem falar nos escândalos 1-0-0, nas dívidas astronômicas, na falta de respeito com o torcedor, nos cartolas que têm malas com a bileteria de um clássico roubadas.
O pior é ver que esses erros não são pontuais, nem mesmo recentes. Os exemplos acima mostram que os absurdos se repetem e o poço da desorganização parece não ter fundo. Será que um dia aprenderemos a organizar campeonatos, a respeitar tabelas, a planejar o nosso esporte?
Paulo Torres, atleticano, se sente enganado ao ver o Juventude fora da Copa Sul-Americana.
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